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ADOÇÃO

Quando pensamos em adoção, várias dúvidas surgem e com elas alguns questionamentos sobre o tema. Por exemplo: qual a motivação para a adoção; se existe uma idade ideal para a criança ser adotada, se vão haver diferenças entre o filho adotivo e o biológico; se fatores desconhecidos da hereditariedade vão influenciar o desenvolvimento do filho adotivo, etc. Enfim, são várias as nuances que envolvem o assunto.
O tema da adoção é amplo e envolvente, e traz consigo controvérsias, questões e vivências carregadas de emoção.
O desejo de procriação e continuidade através da experiência da maternidade e paternidade é uma das características essenciais do ser humano. De maneira geral, homens e mulheres desejam ter e criar seus filhos, realizando-se tanto na esfera biológica quanto psíquica.
Assim, a adoção representa, de modo geral, uma forma de proporcionar uma família as crianças que não podem, por algum motivo, ser criadas pelos pais que a geraram. E representa ainda, a possibilidade de ter e criar filhos para pais que apresentam limitações biológicas ou que optam pelo cuidado de crianças com quem não possuem ligação genética.

POR QUE ADOTAR?
A pergunta “por que adotar” é essencial para que o casal possa refletir e levar adiante o processo de filiação presente na adoção.
Existem várias razões relatadas pelos pais que recorrem à adoção: a esterilidade de um ou ambos os pais; a morte anterior de um filho; o desejo de ter um filho quando já se passou da idade em que isto é possível biologicamente; a idéia de que “há muitas crianças necessitadas, e que se estará ajudando-as e fazendo um bem à sociedade”; o contato com uma criança que desperta o desejo da maternidade ou paternidade; ou parentesco com os pais biológicos que não possuem condições de cuidar da criança; homens e mulheres que anseiam por ser pais, mas não possuem um parceiro amoroso; o desejo de ter filhos sem ter de passar por um processo de gravidez, por medo deste processo ou até por razões estéticas… (p.17)
A experiência mostra que apenas o desejo de ajudar, amar uma criança, não é razão suficiente para adoção. A experiência de filiação inclui vivências e emoções das mais diversas, por longos períodos de tempo, senão pela vida inteira, e as famílias estão sempre diante de desafios e de busca de integração. Para que isto ocorra de maneira harmoniosa, é preciso que os pais tenham claro que desejam um filho e que não estão apenas “fazendo o bem”. Assim como qualquer filho biológico, é importante que a criança adotiva sinta que tem um lugar escolhido dentro de uma família e que não represente a prova da “bondade” de seus pais. (Levinzon, 2009)
Muitas vezes, ao se falar de adoção, são sublinhadas as dificuldades que podem ocorrer nesse processo. É importante ressaltar, no entanto, que a relação entre pais e filhos adotivos é apenas mais uma relação humana, com todas suas vicissitudes e paixões.
O equilíbrio emocional depende de uma multiplicidade de fatores, e a adoção por si só não pode ser responsabilizada pelos problemas que surgem em uma família ou em um dos integrantes.
O grande desafio da família adotiva encontra-se na aquisição e fortalecimento do sentimento de filiação. Não tendo um vínculo de sangue, muitas vezes há um sentimento de que o elo familiar não é sólido de fato. O sentimento de pertinência, no qual tanto a criança quanto os pais sentem que pertencem uns aos outros, precisa ser construído.
Ao conversarem com seus filhos sobre a adoção de maneira natural, simples, honesta, e nos momentos oportunos, os pais lhes ensinam que não é algo que tenha de ser “um problema”. Poder expressar seus sentimentos, dúvidas, e ser ouvido, auxilia o desenvolvimento de uma sensação de intimidade e proximidade, e permite a criança a conquista de uma identidade própria. (p.132)
Quando predomina na família o sentimento de uma vinculação sem reservas, e as pessoas se sentem unidas mesmo diante de momentos extremamente turbulentos, há lugar para superação das dificuldades. A sobrevivência da ligação diante das “tempestades emocionais” ou das pequenas “ventanias” dá aos integrantes do grupo familiar o sentimento de uma vinculação sólida e real. Podemos então falar em uma adoção real. (p.133)

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